Quando o mal comportamento se torna viral

Em 2016, uma menina de 13 anos de idade claramente com problemas de raiva olhou para um público hostil durante uma entrevista na televisão. A vilã em uma pantomima diurna de TV, Danielle Bregoli, desafiou 200 estranhos para uma briga: “Me pegue la fora. E aí?”

Hoje, Bregoli se transformou em “Bhad Bhabie” (Bad Babie), uma adolescente rebelde da indústria musical. Assinou com a Atlantic Records e foi nomeada para o Billboard Music Award de 2018 como uma artista de rap solo. Sua sentença de cinco anos de liberdade condicional por roubo de carro, porte de drogas e apresentação de um falso relatório policial foi interrompida depois que ela conseguiu contratar uma equipe jurídica melhor e notícias recentes sugerem que ela acaba de assinar um contrato no valor de quase US $ 1 milhão. Nada mal.

Bregoli é um exemplo do que James Rush, autor do artigo original, chama de “memeocracia”, um sistema baseado em mídias sociais que recompensa as pessoas pelo comportamento que chama a atenção, em vez do talento que essa pessoa realmente tem. Bregoli e aqueles que criaram sua ascensão sequestraram uma psicologia que favorece a indignação coletiva proposital em vez de valorizar o trabalho duro e uma positiva relevância social.

Na contramão

A ascensão de Bregoli como celebridade vai contra as mensagens que muitos pais dão aos filhos na esperança de alça-los à um futuro melhor: vá para a escola, trabalhe duro; tire boas notas e você será bem-sucedido. Você poderá ser o que você quiser se trabalhar duro o suficiente para conquistar.

A ascensão de Bregoli demonstra o início e a continuidade de uma forte reação contrária por parte daqueles que seguiram todas as regras e encontraram apenas empregos medíocres esperando obter empregos melhores, enquanto adolescentes que se comportam mal parecem estar indo muito bem. Basta falar com adolescentes hoje e torna-se óbvio que muitos aspiram aos níveis de fama de Bhad Bhabie. Em um mundo definido pela automação e pelo consumismo, muitos jovens tem como principal objetivo apenas se tornar “influenciadores digitais”.

E realmente parece que estamos todos dispostos a ajudar. Assim como cidadãos romanos há dois milênios se reuniram para assistir os gladiadores lutarem até a morte, hoje as pessoas assistem a relacionamentos disfuncionais de pessoas intelectualmente desfavorecidas na TV e na internet. O meio é diferente, mas as implicações sociais são as mesmas. Faz um público de classe média se sentir orgulhoso e superior pelo horror à transgressão da norma social. É um conteúdo barato, fácil de fazer e ainda mais fácil de vender. Potencializado através do 127 milhões de usuários “vendedores/consumidores” de conteúdo apenas no Brasil na mais utilizada das redes sociais.

A história, na ocasião, vomitará um Spartacus. Alguém que capta a imaginação coletiva e inflama a população. Alguém como Bregoli. Poucos dias depois de sua aparição no Dr. Phil, um vídeo da adolescente roubando carros e usando facas, tendo uma audiência ridícula, circulou o mundo. A sociedade oscilava entre indignação e diversão. Ela se tornou a garota-propaganda para a juventude irritada. A garota do “me pegue lá fora”. Virou meme e ganhou a internet.

Seu slogan tornou-se um sucesso doméstico. Clips de seu comportamento ultrajante foram musicados. Capitalistas empreendedores imprimiram em camisetas. Bregoli e sua mãe reagiram. Processaram três empresas por violação de direitos autorais pelo uso da expressão “Catch me outsite, how about that?”. Um sinal indistinto do tamanho da loucura causada pelo sucesso inesperado do mal comportamento da garota na internet.

A transformação de Bregoli em Bhad Bhabie diz que não importa como você se comporta, desde que as pessoas notem você. Essa é a mais nova mensagem para os jovens. E quando estamos ao redor e observamos, eles estão entrando em mundos autodestrutivos e narcisistas e em poucos anos serão seu próximo colega de trabalho com quem você terá de se relacionar.

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James Rush em medium.com: When Bad Behavior Goes Viral.

Foto: Scott Dudelson/Getty Images.

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